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Jovanna Baby

  • 24 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

Jovanna Cardoso da Silva, a Jovanna Baby, nasceu em Mucuri (BA) em 1963. Expulsa de casa aos 12 anos por sua identidade de gênero, sobreviveu nas ruas de Vitória (ES) e enfrentou a repressão policial da ditadura militar. Em 1979, após ser detida arbitrariamente sob a "Lei da Vadiagem", liderou a fundação da pioneira Associação Damas da Noite. Esse marco uniu travestis e trabalhadoras do sexo contra a violência do Estado, transformando a exclusão em um movimento político de resistência e dignidade.


Nos anos 1990, no Rio de Janeiro, Jovanna fundou a ASTRAL, a primeira organização exclusivamente trans da América Latina. Sua liderança foi vital para emancipar as travestis do movimento homossexual tradicional, pautando necessidades específicas de saúde e segurança pública. Entre suas maiores conquistas históricas está a criação da primeira carteira de nome social do Brasil, um documento institucional que combateu a violência simbólica nos serviços décadas antes de o Estado oficializar o direito.


Em 1995, participou da criação da ANTRA, rede que nacionalizou a luta e garantiu a inclusão da letra "T" na sigla da comunidade. Jovanna protagonizou atos históricos de desobediência civil, como a conclamação para que travestis rasgassem seus títulos de eleitor em protesto contra um Estado que só as reconhecia durante as eleições. Essa postura radical forçou o debate sobre a cidadania plena e o acesso a direitos básicos, como educação e segurança, para uma população sistematicamente excluída.


Idealizou o FONATRANS em 2010 para dar voz a travestis e transexuais negros, denunciando que o racismo estrutural torna esse grupo a maior vítima de violência letal no país. Autora de "Bajubá Odara", ela registrou o dicionário do dialeto pajubá, preservando a cultura e a linguagem de resistência das ruas. Ocupando assentos em conselhos federais, Jovanna combate a elitização da militância e garante que as pautas da negritude trans não sejam silenciadas em espaços formais de tomada de decisão.


Como gestora pública em Picos (PI), transformou a cidade em referência nacional ao implementar leis orçamentárias com dotações específicas para a população LGBTQIA+. Aos 62 anos, seu legado é imortalizado pelo "Prêmio Jovanna Baby", instituído pela Assembleia Legislativa de São Paulo para honrar defensores dos direitos humanos. Ativa e influente, ela segue provando que a ocupação de cargos no Executivo e no Legislativo é essencial para converter demandas sociais em políticas de Estado reais.


Foto: Arquivo pessoal


 
 
 

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